Publicado em 15/05/2012
Avaliação técnica: Nenad Djordjevic/Fotos: Donizetti Castilho
No fim de abril, a Honda convidou a mídia especializada para apresentar, em sua sede em Indaiatuba (SP), dois novos produtos que farão parte de sua linha. As duas motos são portas de entrada para duas categorias distintas – esportiva e off-road.
A primeira é a CBR 250R, monocilindrica carenada para uso urbano e estradeiro. A segunda, CRF 150F, é voltada exclusivamente ao off-road. Saiba mais sobre o comportamento e o desempenho desses modelos.
CBR 250R
Com design inspirado em suas irmãs maiores (de 600cc e 1000cc) da família CBR, a nova pequena esportiva da Honda chega para mostrar ao usuário como é o comportamento de uma moto esportiva em menor escala. Obviamente, não se trata de um desempenho similar, mas do conjunto de características que faz uma moto ser apresentada como tal.
A CBR é um produto mundial da marca nipônica, sendo fabricada na Tailândia para abastecer diversos mercados – inclusive o brasileiro. Mas, dependendo de como se comportar nas vendas, poderá ser fabricada também em nosso país. A concorrência da nova "250" é duríssima: Kawasaki e Kasinski têm pacotes que podem ser consideradores superiores em muitos aspectos. Mas a Honda acredita que a estética deste modelo, somada à força de sua rede de assistência e à confiabilidade de seus produtos, pode diminuir as diferenças técnicas.
O motor monocilindrico refrigerado a água é capaz de gerar 26 cv e torque de 2,34 kgf.m, marcas condizentes com a proposta de uso. A aceleração é uniforme e progressiva, ideal para quem está começando a pilotar ou que deseja uma moto para uso tipicamente urbano, com eventuais passeios em estrada. A entrega de potência e o torque linear jamais assustarão o usuário, tornando-a bastante divertida para uso cotidiano.
Apesar do design inspirar esportividade e desempenho, a própria postura imposta ao piloto, pelo posicionamento dos semiguidões, denuncia uma vocação maior para a pilotagem "Street", mais comportada. As trocas de marcha são suaves e precisas e a alavanca de câmbio tem curso relativamente curto. O escalonamento do câmbio da CBR250R é bastante proporcional, exigindo poucas mudanças em um contexto tipicamente urbano.
A ciclística do novo modelo é perfeitamente neutra. Não apresenta qualquer tendência exagerada quando em curva, mas pode ostentar alguma aspereza quando a moto é levada ao limite total de inclinação em pavimento mais rústicos. Durante a avaliação, foi possível experimentá-la em ambientes diferentes. O modelo sempre se comportou de maneira bastante previsível. A boa postura corporal, obtida pelo posicionamento de todos os comandos em relação ao piloto, permite grande versatilidade, sem prejuízo significativo no equilíbrio do conjunto.
O sistema de amortecimento confere ao modelo bastante estabilidade, mas, genericamente, privilegia mais o conforto. Fica evidente por seu comportamento que houve certa preocupação por parte dos engenheiros em montar um produto que não cansasse tanto o piloto quanto uma esportiva puro-sangue. As curvas em alta velocidade ficam ligeiramente prejudicadas em função da maciez do conjunto de amortecimento. Uma troca totalmente racional para a proposta de uso.
O destaque da nova CBR250R é o sistema de freios C-ABS, oferecido como opção para o modelo. O sistema combina a ação de frenagem das duas rodas em um comando, distribuindo a força sem que qualquer das rodas possa acidentalmente travar. Mesmo sem o sistema antitravamento, a CBR 250R tem boa modulação em ambos os freios. Mas seu desempenho não é tão preciso. Já o sistema C-ABS compensa a pequena falta, permitindo verdadeiros abusos, tanto no manete quanto no pedal de freio.
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