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Rota alternativa

Rota alternativa - Revista Moto Adventure

Publicado em 20/07/2012

Rota do Charme

 Entre São Paulo e o Rio de Janeiro, há ótimas opções para motociclistas que buscam lindas paisagens

 

Texto e fotos: Eliana Malízia

 

Parti da capital paulista em uma quinta-feira de manhã. Arrumei minha mala de roupas, guarnecida com biquínis, chinelo, protetor solar e, claro, câmera fotográfica. Com a famosa “aranha”, prendi a pequena bagagem na moto F800GS e segui para a minha nova aventura.

Deixei de lado a maçante opção da Via Dutra para chegar ao Rio de Janeiro em grande estilo: busquei caminhos alternativos a esta famosa ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Seguindo pela Ayrton Senna e Carvalho Pinto, rumei para Taubaté, de onde segui para a Serrinha por uma estrada bastante sinuosa – a Oswaldo Cruz (SP-125) – e, dali, para Ubatuba. Nesta estrada, encontrei bastante diversão e lugares belíssimos. Já no trecho de serra, surgiram as famosas “curvas em cotovelo”, nas quais todo o cuidado é pouco (afinal, alguns carros, na mão oposta, costumam sair de sua faixa). Do alto da estrada avista-se o litoral – vale a pena fazer uma parada para fotos! Há locais seguros e sinalizados para estacionar.

 

ANGRA DOS REIS

Ao fim do trecho que liga Taubaté a Ubatuba, cheguei à Rodovia Rio Santos – e mais diversão me esperava! Minha primeira parada foi para relaxar e molhar os pés na Cachoeira do Prumirim (em Ubatuba), que fica encostada na estrada e tem acesso sinalizado por uma placa. Depois fui almoçar à beira-mar, na Praia de Pinciguaba (que, em Tupi-Guarani, quer dizer: “refúgio dos peixes”). Picinguaba fica pouco antes da divisa São Paulo/Rio de Janeiro. Depois do almoço, voltei a acelerar a moto e segui para Angra dos Reis. Assim, continuei pela Rio-Santos. Mais adiante, mudei de estrada, pois minha opção para chegar ao Rio era seguir pela RJ 155, via Lídice. Sem dúvida, foi o melhor trecho da viagem.

 

LÍDICE

A pequena Lídice é ligada a Rio Claro e pertence ao estado do Rio de Janeiro. É uma região cercada por montanhas e cachoeiras. A “verdadeira” Lídice é uma cidade da antiga Tchecoslováquia, hoje, República Tcheca, que ficou bastante conhecida durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi destruída pelos nazistas. Os moradores de Lídice eram suspeitos de abrigar os assassinos de um general de Hitler, o comandante SS Reinhard Heydrich. Os nazistas, então, teriam mandado fuzilar todos os homens da cidade maiores de 15 anos. As mulheres foram mandadas para o campo de concentração de Ravensbruck e as crianças, para reformatórios. Lídice tornou-se um símbolo da crueldade nazista, o que fez com que diferentes países batizassem municípios e vilas com este nome.

Sendo assim, no Brasil, um vilarejo carioca (antes, chamado de “Santo Antônio do Capivari”) passou a se chamar Lídice. A cidade é bem legal – no centrinho, vemos a estátua de uma Fênix (ave mitológica que renasce das próprias cinzas). No Centro Cultural há marionetes tradicionais da República Tcheca e quadros com fotos da Lídice original. Depois de conhecer um pouco a cidade, segui pela Rodovia RJ-155 e passei por três pitorescos túneis esculpidos na rocha e por mirantes com vista para a Baía da Ilha Grande. Em todos os arredores da estrada, pude observar cipós, trepadeiras e lírios. Também notei a existência de dezenas de estradinhas de terra que, certamente, levam a belos destinos off-road.

 

“RIO MARAVILHA”

Já era noite quando terminei o trecho da RJ 155. Depois, percorri mais alguns quilômetros até Copacabana, no Rio de Janeiro, minha parada final. No dia seguinte, acordei cedo para caminhar na orla da praia, aproveitando o sol, antes de me juntar a alguns amigos. Segui para a Rua Garcia Dávila, em Ipanema, onde há lojas e ótimas boutiques – e o melhor: a Sorveteria “Mil Frutas”. Escolhi os deliciosos sabores Jabuticaba e Champanhe com Amoras – não deixe de conhecer essa sorveteria!

Depois, fui “botecar” um pouco. Sem moto e sem culpa, com amigos, fui ao Belmonte Bar, onde provei um pastel de camarão e um bolinho de siri deliciosos. Ainda fui conhecer a Escadaria Seláron, transformada em um gigantesco mosaico pelo chileno Jorge Selaron, que é pintor e ceramista. O artista, depois de percorrer mais de 50 países, escolheu a Lapa, bairro boêmio carioca, para morar. E recolheu mais de dois mil azulejos de todas as partes do mundo nas cores da bandeira brasileira, aplicando-os aos 215 degraus da escada. Ali me deparei com ruas estreitas do bairro de Santa Teresa, cheio de ateliês, lojinhas de artesanato, bares e restaurantes, bem como com o antigo Bondinho. Tive três dias para aproveitas as maravilhas do Rio. E vários foram os passeios gastronômicos e curtições nas praias de Leblon, Ipanema e Copacabana. Este passeio teve direito até a um sambinha na Lapa!

 

VOLTA

Depois de tanta curtição, chegou a hora de regressar a São Paulo. Voltei por um caminho diferente. Segui no sentido de Mangaratiba e Angra dos Reis e, novamente, rodei pela estrada para Lídice – gostei tanto daquele trecho que fiz questão de curti-lo mais uma vez. Por fim, acessei a SP 155 e, ao invés de seguir no sentido do Rio de Janeiro, como fizera na ida, optei pela Rodovia Presidente Dutra, rumo a Penedo. Ali, parei para pernoitar e fiquei na simpática pousada Villa Luna. Curti a noite de Penedo, com seus pequenos e charmosos restaurantes. No dia seguinte, acordei revigorada para encarar mais 276 km até São Paulo. 

 

DIVERSÃO GARANTIDA

Apesar da viagem São Paulo-Rio ser bem comum, posso afirmar que este roteiro foi diferente. Curti charmosas estradas, curvas sinuosas, passei por serras, cachoeiras, montanhas e praias – tudo em uma única jornada! Foi um ótimo caminho para fugir da maçante Presidente Dutra. E uma boa oportunidade para curtir mais a moto e, nas horas certas, deixá-la de lado, para curtir os simpáticos bares boêmios da Cidade Maravilhosa.

Fiz um caminho mais longo que o normal, mas bem mais divertido. Foram 580 km de estrada em uma tacada só, da capital paulista a Copacabana. Na volta de “Copa” a ”Sampa”, foram mais 582 km (com parada para dormir em Penedo). Aproveite os feriados prolongados de 2012 e faça uma viagem nesses moldes: a diversão é garantida!

 

ONDE FICAR

Rio Othon Palace

O hotel fica de frente para o mar. Com piscina coberta aquecida, oferece vista do Pão de Açúcar. Também está a poucos passos da Praia de Ipanema e da Estação de Metrô Cantagalo.

http://www.othon.com.br/

 

Premier Copacabana Hotel

Fica a três quadras da Praia de Copacabana, em zona residencial e com uma estação de metrô quase à porta. Oferece piscina na cobertura.

www.premier.com.br

 

Pousada Villa Luna em Penedo

Localizada na principal avenida de Penedo. Fica a apenas 200 metros da Pequena Finlândia e de onde está a maioria dos artesanatos, lojas de decoração, cafés, restaurantes e fábricas de chocolate locais. 

http://villaluna.com.br/

 

ONDE COMER

Sobre as Ondas Restaurante

Bem no canto da praia, é um excelente restaurante para petiscar no final da tarde, vendo o pôr-do-sol. Perto dali, há outros botecos que servem petiscos e pratos à base de peixe, arroz, feijão e salada. Fica em frente ao mar, na Praia de Picinguaba, em Ubatuba (SP)

 

Cervantes

Serve o melhor sanduíche carioca (segunda a publicação “Veja Rio”).

Fica na Rua Barata Ribeiro, 7, Copacabana

www.restaurante.cervantes.com.br

 

Bar Belmonte

Rua Domingos Ferreira, 242 – Praia de Ipanema

www.botecobelmonte.com.br

 

Carioca da Gema 

Serve petiscos e tem samba ao vivo.

Rua Mem de Sá, 79, Lapa.

 

Garota de Ipanema

Frequentado por personalidades e artistas, o bar é considerado um dos pontos turísticos locais. No cardápio, pratos tipicamente brasileiros. Destaque para o bolinho de bacalhau e as patinhas de caranguejo. Rua Vinícius de Moraes, 49, Ipanema.

 

Restaurante Gula Gula

Vale conferir os pratos bem elaborados do famoso “chef” de cozinha Fernando de Lamare, o “Fernandão”, responsável pelo cardápio inicial do Gula Gula há 20 anos. Fica na Avenida Gen. San Martin, 1196, Leblon.

http://www.gulagula.com.br/

 

 

BOX

Eliana Malizia utiliza nessa viagem uma BMW F800 GS

eliana@elianamalizia.com.br

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